ALICE N. NÃO MORREU!
SÓ ESTEVE FAZENDO OUTRAS COISAS...
MAS SEMPRE ESCREVENDO
E, ALIÁS, EM BREVE, MAIS UM LIVRO VEM AÍ:
"UNS CONTOS ORDINÁRIOS"
terça-feira, 6 de maio de 2014
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
JUVENAL ANTUNES, UM POETA INOLVIDÁVEL!!!
DESCOBRI O POETA JUVENAL ANTUNES (CEARÁ-MIRIN, 1883-MANAUS, 1941) MEIO CASUALMENTE, NUMA CONVERSA DE SEBO, POR MEIO DO LIVRO DE ESMERALDO SIQUEIRA, "UM BOÊMIO INOLVIDÁVEL". É A PAIXÃO DA VEZ.
UM TEXTO DELE PARA EMBALAR A ALMA:
UM TEXTO DELE PARA EMBALAR A ALMA:
CONSELHOS SOBRE COMO SE VIVER A VIDA ( EM CARTA AO SOBRINHO VICENTE):
"Vicente
Tua carta está de molde a gerar suspeitas sobre teu futuro. Podes mesmo acabar como Rui Barbosa ou Lampião. Tens boa dose de mau sangue: do padre Antunes, do tio Soares, de Ana Bênder e de mim. Zombarás da humanidade, que te respeitará com medo de tua independência intelectual. Agora, que vais viver no Rio de Janeiro, dou-te em troca dos teus versos o seguinte decálogo, para te governares na vida:
I) Nunca te cases, nem memso com uma agonizante rica.
II) Não furtes pouco, que é muito feio.
III) Adora tuas produções artísticas, embora não valham nada.
IV) Foge das crianças, masculinas ou femininas. Elas em geral são crisálidas de borboletas venenosas (...)
V)Ama os vícios. Só têm o defeito de custar dinheiro. Quando este é muito, aqueles ficam doirados.
VI) Não mates nunca, não por amor à espécie humana, medo do inferno ou respeito às leis, mas porque isso é inútil. Matas um malvado, nascem dois.
VII)Sê bacharel, vagabundo, médico, parteiro, negociante ou coisa pior. Mas não sejas tolo.
VIII) Ama o dinheiro. Faze como o imperador Vespasiano que achava cheirosas as moedas recebidas do imposto das sentinas.
IX) Não queiras saber da mulher do próximo nem do distante. Não vale a pena. (...)
X) Só trabalhes quando te pagarem. De graça não faças nem uma graça.
Eis aí, meu caro sobrinho, o regime de vida que te aconselho. Lembro-te, porém, que é preciso algum talento e muita coragem para praticar este programa.
Desejo que sejas feliz na companhia do nosso parente militar. Estarás em bom quartel."
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
MAIS UM CONTINHO ORDINÁRIO
UMA ESTRANHA NA CIDADE
Recém-chegada à cidade, no hotel,
quando saiu para o almoço do primeiro fim de semana, deu com o que
parecia ser um time de jogadores de futebol. Todos atletas, cheios de
vitalidade. Passou por um que parecia ser o técnico ou qualquer merda
equivalente. Falava ao telefone, mas interrompeu o que dizia para dar a ela um
boa tarde cheio de malícia. Em questão de frações de segundo, ela então lembrou
ter ouvido, enquanto dormia, um dos miseráveis carros de som que às sete da
manhã já rodavam pela cidade anunciar um jogo no estádio local. Sem pensar,
retrucou para o tal técnico:
– Não é por nada não, mas vocês
vão perder...
A vida é pura ficção. A certeza
mais certa que tinha consigo nos seus poucos 30 anos de vida... Console-se, minha
cara: talvez tenha mais três décadas aí para você se afundar...
Tudo bem. Só lhe restava, por
enquanto, passar protetor solar no rosto e se embriagar. Além de observar os
urubus no céu. Ainda bem que trouxera Bukowski para se distrair... Ainda bem
que acreditava no deus Devir...
Numa noite, numa outra dessas infinitas
cidades com suas noites perdidas de sertão, depois da aula, ela foi beber uma
cerveja no bar da Mercedes. Estavam lá as duas, bebendo a cerveja e pensando na
morte daquele cantor clássico da música brega brasileira. O cara tinha emoção,
não se podia negar, mesmo que fosse um cachorro. Subitamente, caiu uma chuva
ali, naquele fim de mundo, que trouxera consigo um cheiro doce de caju. Foi ali
que percebeu, de fato, com o peso de uma verdade inegável, que o tempo leva a
todos, da capital ou do interior, para o mesmo e sempre fim.
E ela nunca seria capaz de
esquecer isso.
Aliás, ali também havia uma
funerária, já percebera. A funerária PAF. Todo dia, invariavelmente, um carro
de som (mais um) rodava por aí anunciando a morte do prestimoso senhor de tal
ou da inesquecível senhora fulana... Fazia parte dos serviços da Funerária PAF.
É isso aí. Ele (ou ela) estava lá, cheiinho (ou cheiinha) de vida, quando de
repente: PAF!
Cumpriu sua missão. E foi para
debaixo da terra. Virar fóssil ou estrume de vaca. Ou nem isso.
Quando ela voltou para o hotel, o
técnico falava com os seus jogadores, todos reunidos no restaurante, sem
nenhuma vitalidade.
Devem ter perdido no jogo
quarta-feira, 31 de julho de 2013
ALGUMAS NOTAS: DESCABIDAS, PRETENCIOSAS
FABULAZINHA
ORDINÁRIA
Era uma
roseirinha miúda, dessas que florescem em várias cores. Mas até florescer, o
jardineiro que a trouxe teve que suar. Muito cuidado e apuro, atenção e
palavras doces todos os dias. E troca a água. E troca a terra. A princípio,
parecia que ela não ia vingar, trazida de feira distante, amarrotada em solavancos
de viagem, todo aquele terror da mudança de vasos e ares.
Mas viveu.
E o jardineiro, herói vencedor que afirma a vida, rejubilou-se. Foi em uma
manhã, em que se percebendo maior, notou a roseira, mesmo que miúda, vivente, e
assim vivente, vencida. Ele domou a morte e a pequena roseira brava então viveu.
Viveu sim.
Mas eis aí
o começo do fim. O movimento que não cessa, enfim.
O
jardineiro, longe do desafio de torná-la rosa mais viçosa, foi como que se
apodrecendo aos poucos, inteiro por fim. Envergado, feio e murcho, foi
desanimando até virar galho seco. A água vinha com menos frequência. Com menos
carinho a palavra para saudar o sol. Adeus, rosa bravia, parecia dizer a cada
dia.
Até que num
suspiro de tédio e saudade, a roseirinha tomou da decisão: na primeira brisa da
primeira tarde de setembro, despetalou-se, a roseira se despetalou e virou
vento. E ficou sendo só lembrança de felicidade.
DRAMAS DO
TEMPO PRESENTE:
O que fazer
quando se está sozinho em casa e não se consegue abrir a garrafa de vinho de
jeito maneira?
a-) Se
contentar com a única latinha de cerveja da geladeira
b-) Pular
da janela
c-) Ir
escrever qualquer tolice no facebook e (ver outras tb)
MAIS UMA DE
AMOR? ORA, FAÇA-ME O FAVOR!
Você que,
afinal de contas freudianas, só pensa mesmo é em pau, cu e buceta: a vida não
se resume a isso, será preciso gritar? quantos buracos maiores no mundo? E cadê
o abismo mais digno por onde se atirar?
Hein? Fala,
Odete!
EGO- MÃE:
Entre o
querer-ser o próprio ID e o dever-ser o SUPEREGO da filha
domingo, 28 de julho de 2013
quinta-feira, 27 de junho de 2013
70 ANOS DE FALVES SILVA: A VIDA COMO OBRA DE ARTE - por Cellina Muniz
Neste ano de 2013, o poeta visual
Falves Silva completa 70 anos de traquinagens. As comemorações (cujo auge será
em outubro, com exposição na Capitania das Artes), já começaram, com o lançamento,
no dia 15 de junho, da Pindaíba, revista independente de Fortaleza que traz
matéria sobre esse expoente do Poema/Processo e da Arte Postal. Na ocasião do
lançamento, Falves também apresentou a exposição “Cápsulas da Memória”, com
trabalhos em ilustração e colagens reverenciando nomes diversos da cultura
local e internacional e que, de algum modo, atravessaram sua trajetória.
Há vários motivos pelos quais eu
me sinto fã do trabalho e da pessoa desse Mister Boy: desde as agruras que
marcaram sua infância (pelo que foi obrigado a migrar da Paraíba para terras
potiguares e trabalhar logo muito cedo, exercendo atividades múltiplas, como
carregador de baldes d´água, entregador de jornal e ajudante de sacristão),
passando pelo seu autodidatismo (com suas livres leituras no campo dos
quadrinhos, cinema e semiótica) e pela sua presença fundamental na idealização
e composição de jornais da imprensa alternativa da cidade de Natal (como A
Franga, Cebola faz Chorar, Jornalzinho do Sebo Vermelho, A Margem) até chegar à
sua habilidade inventiva em matéria de tiradas cômicas e satíricas. Mas um dos
motivos que me chamam atenção e que destaco neste texto diz respeito à condição
de Falves Silva de sujeito da experiência, nas palavras do educador espanho
Jorge Larrosa, ou, mais precisamente ainda, seguindo a perspectiva do filósofo
alemão Friedrich Nietzsche, de ser/estar no mundo como obra de arte.
Comento isso um pouco mais a
partir de dois trabalhos de Falves, ambos colagens: um, apresentado no zine
Bichiga Taboca, de dezembro de 2002, e outro, apresentado na referida exposição
“Cápsulas da Memória”, realizada lá nas adjacências do Beco da Lama,
tradicional reduto boêmio e artístico da cidade.
Geralmente, uma colagem pode se
definir como a apropriação/intervenção sobre imagens e textos de origens
diversas, ressignificados e abertos à “versão” do espectador. Nesse trabalho,
em meio a uma avalanche de letras de distintas fontes e uma série de ícones (do
cinema, da música, das artes plásticas), lá está o rosto de Falves Silva, como
a querer dizer: também eu faço parte dessa fauna, também eu posso narrar, num
transbordamento de linguagens, a minha existência. Eu, sujeito assim exposto e
imposto, fruto de uma experiência criativa/interpretativa que não cessa nunca.
Eu, paixão. Paixão sim, já que “se a experiência é o que nos acontece e se o
sujeito da experiência é um território de passagem, então a experiência é uma
paixão” (LARROSA, 2004, p. 163).
Nessa narrativa de si de sujeito
passional, nenhum problema em nivelar-se a Beethoven ou Che Guevara e nem cabe julgar
isso com olhar moralizante. Como diria Nietzsche, ao Diabo com a moral!
(NIETZSCHE, 2006, p. 77). O que vale, em uma concepção dionisíaca de arte, é a
“vontade de vida”, “o triunfante Sim à vida” (NIETZSCHE, 2006, p. 105).
A mesma vida que se afirma no
excesso, na força, na plenipotência da mistura de linguagens. Porque se a
linguagem nunca dará conta do real, é preciso abusar dela, fazê-la transbordar
além de seus limites. Assim, não seria o Nadaism
esse vácuo em que pode caber o tudo, não só seus prazeres e seus pavores mas sobretudo
a reinvenção do eu pela própria arte, única maneira de escapar à morte?
Quanto mais vejo os trabalhos de
Falves Silva, mais admiro sua condição de sujeito passional e de artista
dionisíaco, aquele que já se delineava quando, moleque ainda, costumava agradar
aos papudinhos da vizinhança por cantarolar Jackson do Pandeiro. Sinto-me feliz
por tê-lo conhecido e poder ouvir suas histórias enquanto tomamos juntos
algumas cervejas pelos botecos da Cidade-Alta.
Um brinde à vitalidade de Falves
Silva. Um brinde à vida!
REFERÊNCIAS
LARROSA,
Jorge. “Linguagem e educação depois de Babel”. Tradução de Cynthia Farina. Belo
Horizonte: Autêntica, 2004.
NIETZSCHE,
Friedrich. “Crepúsculo dos ídolos”. Tradução de Paulo César de Souza. São
Paulo: Companhia das Letras, 2006.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
LANÇAMENTO DA REVISTA PINDAÍBA EM NATAL-RN-2013
A Revista Pindaíba comemora 10 anos de existência com o lançamento de sua terceira edição na capital potiguar. Idealizada e realizada por um grupo de afinidades da cidade de Fortaleza, Ceará, a Pindaíba reatualiza a força das publicações independentes e a vontade de potência daqueles que querem se fazer expressar para além das regras do grande mercado e que, desde sempre na história dos impressos, dão um jeito para afirmar seu lugar ao sol!
Vida longa à Revista Pindaíba!
E um brinde à vida!
O editor e a autora: André Dias e Cellina Muniz
Manoel Carlos, editor da Revista Pindaíba, no seu momento poético
Falves Silva, o poeta/processo, comemorando seus 70 anos de arte com os pindaibeiros
domingo, 9 de junho de 2013
quinta-feira, 6 de junho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
UM HAKAI PARA O DIA DE HOJE
AH!
O ROUXINOL
MESMO EM PRESENÇA DE UM PRÍNCIPE
SEU CANTO É O MESMO
(ISSA)
O ROUXINOL
MESMO EM PRESENÇA DE UM PRÍNCIPE
SEU CANTO É O MESMO
(ISSA)
RIMAS CHINFRAS
MORRER É DIFÍCIL
RENDER-SE É MAIS.
NÃO,
NÃO HÁ PAZ.
E EU SIGO.
***
NÃO TINHA QUE SALVAR A ÁFRICA,
NÃO TINHA QUE ENTENDER DE TUDO...
MAS SUA ALMA, MESMO RALA,
ERA DO TAMANHO DO MUNDO.
***
SE TUDO ACABA
POR QUE A DOR?
SE TUDO FIM
POR QUE O AMOR?
terça-feira, 4 de junho de 2013
UMA CARETA PARA OS CARETAS
Eles/Elas dizem: você não devia ter feito isso, você deve fazer assado... Tod@s têm sempre uma opinião formada sobre tudo, tod@s sabem sempre a fórmula exata.
Hoje esta postagem, tola mas sincera, vai como careta para os caretas muito nobres em suas certezas, muito certos em sua nobreza. Eu prefiro a honestidade dos que rolam abismo abaixo sem o peso das convenções e ao calor de suas paixões. Tolas, mas sinceras.
terça-feira, 14 de maio de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
RIMAS CHINFRAS
Não há verso
no inverso
em que volta e meia
me converto.
Eu, tão sem nexo,
Eu, tão lua cheia,
aquela que contempla
o pescador perverso
afogar-se na areia.
A VOLTA DE ALICE N.
Depois de um chá de sumiço, quando eu menos esperava, eis que ela simplesmente me aparece, o sorriso mais sonso na cara. Alice N. voltou.
- Cheguei!
Tentei ignorar, como quem não dá a mínima por sua existência. Ela nem te ligo, largou as tralhas no meio da sala (uma bolsa colorida cheia de livros, papeis e algumas roupas) e foi se despindo para o banho. Não parava de tagarelar, só coisas desencontradas e sem nenhum controle.
- É assim mesmo, meu bem - falou, como quem consola - vida de rotinas e vida de aventuras, não foi assim que falou o teu mestre?
Acabei caindo no truque:
- Nietzsche?
Em resposta, ela deu uma gargalhada gostosa e foi para o banheiro. Uma sonsa aquela Alice N. Uma irresponsável, uma cínica, uma egoísta...
Suas palavras não me davam sossego. E sua presença, novamente materializada depois de tanta ausência, eram um misto de inquietação e alegria.
Enquanto eu me organizava para a lida do dia seguinte (seria Leminski? Talvez, mas não era muito o estilo dele...), ela cantarolva no chuveiro uma canção italiana, muito inocente. Pensei em fuçar suas coisas, saber o que andara escrevendo e aprontando.
- Alice N., por onde você andou? - eu quis saber, vendo os pingos escorrendo do corpo dela e ensopando o chão da casa.
- Por aí... E por aqui?
Aquela merda de sempre: a imprensa espremendo sangue das notícias, os egos inflados, as amizades frágeis que se vão...E, por certo, um próximo livro a ser lançado.
-Bukówski?
Em resposta ela me deu as costas e foi comer uma maçã. E eu fiquei ali, feito boba. O que se pode exigir de uma criatura dessas? O que se pode exigir da vida? Tudo? Todos os compromissos e promessas, fidelidade e dedicação?
Alice N. era como qualquer um: aquela contradição.
Observando a figurinha mastigando sua fruta muito candidamente, eu sentia minha respiração voltando ao normal. Quando minha revolta esfriou de vez, lembrei, num estalo:
-Maffesoli! Claro!
E a vida seguiu.
quarta-feira, 27 de março de 2013
POESIA PARA O DIA
AS FLORES
SÃO MESMO
UMAS INGRATAS
A GENTE AS COLHE
DEPOIS ELAS MORREM
SEM MAIS NEM MENOS
COMO SE ENTRE NÓS
NUNCA TIVESSE
HAVIDO VÊNUS
PAULO LEMINSKI
segunda-feira, 11 de março de 2013
MAIS UM CONTINHO ORDINÁRIO (DEDICADO À PATRÍCIA MELO)
ESCREVENDO
NO ESCURO TAMBÉM
Largou
o livro, numa expressão de enfado. Ô ódio! Vai escrever bem assim no inferno,
sua maldita. Foi até a geladeira e pegou uma maçã, o estômago doía. Gastrite ou
úlcera? O exame era na sexta. Na quinta tinha a panfletagem. Olhou para o
fanzine no chão, ainda por terminar. Quero lá saber de poesia marginal agora.
Quero lá saber de nada.
É
que a lua estaria cheia dentro de algumas horas, sabia. É que seus hormônios
infames a atacavam novamente, sabia também. E daí? É que não fazia outra coisa
a não ser pensar na criatura. Dois anos naquela joça: ia dormir pensando na
criatura, acordava pensando na criatura e quando sonhava, era a criatura o objeto
de suas condensações e deslocamentos oníricos. Uma verdadeira praga. Ô ódio!
Cara Patrícia. Eu te adoro. Você escreve como ninguém.
Adoro seus romances, adoro seus contos. Mas você não supera Clarice,
queridinha. Isso não.
Por falar em Clarice, já que se há de escrever, que ao menos não se
esmaguem com palavras as entrelinhas. Isso ela leu numa reportagem sobre as anotações de leitura
de Ana Cristina. Outra louca atacada. Teria ela também gastrite?
Ou
úlcera?
Quem,
Clarice ou Ana Cristina?
A
Patrícia...
É,
Leminski, haja hoje para tanto ontem. Tinha ímpetos de pegar no telefone, ligar
qualquer número ao acaso e perguntar para quem quer que atendesse:
-
Alô?
-
Me diga uma coisa, por gentileza: o que fazer com essa dor a me roer as entranhas,
com essa obsessão a me triturar os nervos, com esses hormônios a me envenenarem
o sangue e com essa lua a me revirar pelo avesso?
-
Vai lavar uma louça, minha filha. Ou pegar no cabo de uma enxada, também tá
valendo. Já viu as estatísticas de quantas crianças morrem por dia de inanição?
Tu,
tu, tu...
Somente
tu.
Olhou
para a tela vazia do computador. Nada, totalmente no escuro.
Querida Patrícia. Seu conselho, de começar a escrever
seja lá o que for não adiantou de nada. Continuo às cegas. Aliás, já te falei
que te adoro? Mas não mais que Clarice, claro...
O
estômago doía. No chão, o fanzine esperava por ser finalizado. Pegou novamente
o livro, resignada. Logo mais a lua estaria no céu. E em uma semana estaria
minguante.
terça-feira, 5 de março de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
10 anos de PINDAÍBA!!!
A REVISTA PINDAÍBA, UMA PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE, ATREVIDA, METIDA A BESTA E CHEIA DE VONTADE DE POTÊNCIA, GRAÇA E INDIGINAÇÃO, IDEALIZADA, INSPIRADA E VIVENCIADA POR UMA CERTA MARGINÁLIA DA CIDADE DE FORTALEZA, CAPITAL DA TERRA DE IRACEMA, ESPECIALMENTE NO BAIRRO DO BENFICA, COMPLETA 10 ANOS EM SUA TERCEIRA EDIÇÃO. VIVA OS IMPRESSOS QUE DESORDENAM OUTRAS FORMAS DE SER E VIVER ARTE.
VIDA LONGA À PINDAÍBA E AOS PINDAIBEIR@S!
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